Dia mundial do Autismo : mãe cachoeirense relata desafios e aprendizados com o diagnóstico do filho
No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, histórias reais ajudam a dar visibilidade à importância do diagnóstico precoce, do acolhimento e da empatia. A mãe cachoeirense, fotógrafa e enfermeira, Tatiane Trindade Dias compartilha a trajetória ao lado do filho Pedro, de 11 anos, e revela os desafios, superações e aprendizados ao longo dessa caminhada
Como foi o momento do diagnóstico e quais sentimentos marcaram essa fase?
Quando recebemos o diagnóstico, o sentimento foi de impotência, luto e muitos questionamentos. Nós planejamos muito a gestação e nos perguntávamos por que aquilo estava acontecendo com a gente. Tentávamos encontrar respostas, até mesmo nos culpando. Foi um período difícil, com muitos desafios desde antes do diagnóstico, como o sono agitado e os choros constantes. Isso nos levou a tomar decisões importantes, como sair de Curitiba e voltar para perto da família, em busca de rede de apoio.
Quais foram os principais desafios no desenvolvimento do Pedro?
A fala foi um grande desafio, demorou para se desenvolver. Passamos por diversas terapias, como fonoaudióloga, psicopedagoga e estimulação precoce. Na escola, ele precisou ficar em turno único por conta da agitação. Depois enfrentamos a negação de vagas escolares e ainda tivemos a alfabetização durante a pandemia, com aulas online e sem convivência com outras crianças, o que dificultou ainda mais.
Como foi o processo de evolução dele ao longo dos anos?
Com muita dedicação, rotina em casa e terapias, começaram a surgir as primeiras palavras, inclusive em inglês, por influência das telas. Depois vieram palavras soltas e, finalmente, frases completas. Hoje vemos o quanto ele evoluiu, sempre respeitando o tempo dele.
Vocês buscaram atividades para auxiliar no desenvolvimento?
Sim, tentamos várias atividades até encontrar algo que ele realmente gostasse: crossfit, jiu-jitsu, teclado, musicalização, natação, padel. Hoje ele está na guitarra, e acreditamos que acertamos. A música sempre esteve presente na vida dele, inclusive antes da fala, quando ele já se comunicava por sons.
Qual é o maior desafio atualmente?
Hoje, sem dúvida, é o bullying. Lutamos diariamente para que ele não sofra por ser atípico. Isso dói muito, especialmente quando ele chega em casa triste por alguma situação na escola.
Como é a rotina da família?
Temos uma rotina normal. Nunca tratamos ele de forma diferente. Ele tem responsabilidades em casa, como arrumar o quarto e ajudar nas tarefas. Participa de eventos conosco, tem horários e limites. Apenas evitamos ambientes com muito barulho, pois isso o incomoda.
Como foi falar abertamente com ele sobre o autismo?
Foi uma das melhores decisões que tomamos. No início ele chorou por se sentir diferente, mas depois veio o alívio de entender o porquê. Hoje ele se conhece, entende suas particularidades e isso trouxe mais segurança para ele.
O que o Pedro representa na vida de vocês?
Ele é nosso maior aprendizado. Nos ensinou sobre paciência, respeito e amor. É um menino carinhoso, inteligente, educado, dedicado aos estudos, gosta de ler, assistir filmes e aprender coisas novas. Muitas vezes parece mais adulto que nós.
Como você vê a sociedade em relação ao autismo?
A sociedade ainda não está preparada. Muitas vezes parece acolhedora, mas falta paciência e compreensão. Vivemos em um mundo muito acelerado, onde poucos param para ouvir e entender. Quando encontramos pessoas sensíveis, somos muito gratos.
Que mensagem você deixa para outras famílias e para a sociedade?
Não abandonem seus filhos após o diagnóstico. Quanto antes iniciar as terapias, maiores são as chances de desenvolvimento. Busquem seus direitos. Pessoas com TEA merecem qualidade de vida e respeito.
A educação começa em casa: é preciso ensinar as crianças a respeitarem as diferenças. O bullying machuca e pode destruir sonhos.
O autismo veio para nos ensinar sobre amor, respeito e paciência.
E como essa experiência impactou você como mãe?
Quando conheci de fato o meu filho, me reconheci nele. Busquei meu diagnóstico e também fui diagnosticada com TEA. Foi um alívio enorme entender quem eu realmente sou.

