Entre perdas, recomeços e amor: a história de uma mãe que fez da maternidade seu propósito
Cachoeirense de coração e alma, Nara Giovana Cardoso Ferreira, de 61 anos, construiu ao longo da vida uma trajetória marcada pela força, pela coragem e, acima de tudo, pelo amor aos filhos. Atualmente morando em Balneário Pinhal, ela mantém até hoje um vínculo forte com Cachoeira do Sul, cidade onde criou amizades, participou ativamente da comunidade escolar e construiu grande parte de sua história.
Filha única, Nara sempre sonhou em ter uma família grande. Desde muito cedo, sabia que queria ser mãe e construir uma casa cheia de vida, movimento, carinho e união. Mais do que um desejo, a maternidade acabou se tornando o verdadeiro propósito da sua vida.
Ainda jovem, viveu uma das dores mais difíceis que uma mulher pode enfrentar: perdeu o primeiro filho ao nascer, após uma gestação de nove meses. Uma perda profunda, silenciosa e que marcou sua trajetória para sempre. Mesmo diante do luto, seguiu em frente.
Anos depois, ficou viúva aos 30 anos, precisando criar os filhos pequenos sozinha após a morte do marido. Com coragem, assumiu o papel de mãe e pai ao mesmo tempo, enfrentando as dificuldades sem jamais deixar os filhos sentirem o peso que carregava.
Mesmo nos momentos mais difíceis, ela nunca deixou faltar amor, cuidado e presença.
Mãe de quatro filhos, Savana, Saimon, Sauan e Sander — Nara sempre foi aquela mãe presente em tudo: nas apresentações escolares, nas reuniões, nos projetos dos filhos, nas decisões importantes e até nos sonhos mais improváveis. Sempre apoiando, incentivando e acreditando.
“Ela nunca desacreditou de nenhum sonho nosso”, relembra a filha Savana. “Sempre esteve ali batendo palma, incentivando e ajudando em tudo.”
Além de dona de casa, profissão que exerceu com dedicação durante toda a vida, Nara também se tornou conhecida pelo envolvimento com projetos escolares e ações voluntárias. Participou ativamente de iniciativas comunitárias, presidiu CPM e ACPM em escolas e sempre encontrou maneiras de ajudar outras pessoas.
Mas talvez uma das maiores marcas deixadas por ela tenha sido dentro de casa.
Mesmo enfrentando dificuldades, perdas familiares e mudanças de cidade ao longo da vida, Nara criou memórias afetivas inesquecíveis para os filhos. Datas comemorativas sempre ganhavam decoração especial. Natal, Páscoa, aniversários e até Copa do Mundo viravam motivo para reunir a família, preparar detalhes e transformar momentos simples em lembranças eternas.
Ela organizava piqueniques, fazia festas temáticas, preparava comidas para amigos e mantinha a casa sempre cheia. Para ela, sempre cabia mais um prato na mesa.
“Ela fazia tudo parecer leve, mesmo quando não era”, lembra Savana.
Vaidosa, alegre e apaixonada pelo universo da beleza, Nara também acabou influenciando diretamente a trajetória profissional da filha. Foi acompanhando a mãe nos salões de beleza desde pequena que Savana descobriu o amor pela área em que atua hoje.
“Minha conexão com a beleza começou ali, vendo ela se cuidar, se arrumar e me levar junto para o salão”, conta.
Anos depois, já recomeçando mais uma vez a vida, Nara teve mais dois filhos. Entre eles, o caçula, diagnosticado dentro do espectro autista, experiência que transformou ainda mais sua maneira de enxergar o mundo. Hoje, ela participa ativamente de grupos ligados ao autismo e se tornou uma mãe defensora incansável dos filhos e das causas que acredita.
Mesmo vivendo em cidades diferentes há cerca de 15 anos — com filhos em Cachoeira do Sul, Porto Alegre e Balneário Pinhal — a ligação entre eles permanece intensa. As conversas diárias e o vínculo construído ao longo da vida seguem firmes, mostrando que distância nenhuma diminui o amor de uma mãe presente.
A força de Nara nunca esteve apenas nas dificuldades que enfrentou, mas na maneira como escolheu viver apesar delas.
Ela transformou dor em acolhimento.
Fez da casa um refúgio.
Dos filhos, seu maior projeto de vida.
E das pequenas memórias, lembranças que permanecerão para sempre.
Hoje, aos 61 anos, segue sendo exatamente aquilo que sempre sonhou ser: mãe.
Uma mãe de braços abertos, casa cheia, mesa posta e coração disposto a amar sem medida.


